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“Acho isso um pouco infantil”

Publicado: fevereiro 10, 2012 em Desabafo

Para aqueles que não sabem, estou com um novo blog literário, o No Meu Mundo, ele não é só um blog literário, nele eu falo além dos livros, falo de cinema, séries, teatro, eu fiz um post recentemente sobre um evento que eu fui, chamando Hunger Day, que foi um evento onde tivemos um dia de Jogos Vorazes, foi o máximo o evento, eu me senti mais viva do que nunca, conheci pessoas novas, fiz amigos, fui um dos Tributos, estive em Panem, mais especificadamente na arena, na capital de Panem, eu li para a minha mãe o relato desse meu dia como tributo, o relato do blog, onde todos que leram adoraram, muitos falaram que queriam eventos assim nos estados que eles moravam, pensei que minha mãe falaria algo como “Poxa, deve ter sido bem legal” ou então “Ficou realmente muito bom” mas não, ela vira e fala “Acho isso um pouco infantil” ok, era uma brincadeira, vendo de fora pode parecer, tipo um pique-pega aprimorado, eu tenho 25 anos, devia estar na hora de parar de brincar.

Ela ainda completou com “na sua idade eu já tinha a sua irmã”, eu me senti um lixo nesse momento, sei lá, alguém com uma deficiência mental enorme, que não sabe separar a fantasia da realidade, me senti de verdade uma retardada, mas porque eu me senti assim? Por não ter um filho? Por ter me divertido? Ao perceber que eu fiquei bolada ela tentou desfazer o que fez, mas as pessoas tem que aprender que tem coisas que não se voltam atrás e a palavra falada é uma dessas coisas. A forma de melhorar as coisas dela apenas piorou, disse que na época dela as pessoas tinham necessidade de crescerem mais rapidamente, pensei em será que é isso? Será que eu tenho a síndrome de Peter Pan e não quero crescer nunca? Se tenho mesmo isso, isso é um problema? Eu resolvi fazer uma reflexão sobre as coisas e percebi que o fato de eu ainda ter uma alma mais jovem, não quer dizer que eu seja imatura ou menos responsável.

Resolvi pesquisar a santa wikipédia para ver o que é ser responsável, pois acho que ser responsável é a primeira obrigação que temos ao crescer, na minha opinião um adulto é uma pessoa responsável pelos seus atos e encontrei a seguinte definição.

Responsabilidade vem do grego “respon” que significa independencia, e do latim “sabili”, que significa sábio. É a obrigação a responder pelas próprias ações, e pressupõe que tais atos se apoiam em razões ou motivos. O termo aparece em discussões sobre determinismo e livre-arbítrio, pois muitos defendem que se não há livre-arbítrio não pode haver responsabilidade individual, visto que as ações pelas quais o individuo seria responsabilizado não foram praticadas de livre e espontânea vontade.
Os motivos das ações de um indivíduo responsável devem fazer sentido e esse deve fazer conhecer suas opiniões sem causar transtorno ao resto da comunidade.
Ser responsável é obrigação de qualquer cidadão para uma vida saudável em sociedade.”

Pelo o que pude entender o individuo responsável é aquele que é independente e sábio, então resolvi me questionar se tenho essas qualidades. Eu moro na casa da minha mãe, é verdade, mas se eu quero algo, se eu quero sair, pago com meu próprio dinheiro, o máximo que acontece é eu pegar emprestado mas pago devidamente depois. A coisa que mais uso em casa, que é a internet, eu pago metade dela e minha irmã paga a outra metade. Eu posso não ter minha total independência, mas me sinto independente sim. Sempre resolvi meus próprios problemas e só peço ajuda se é algo que eu não posso resolver sozinha e nesse caso também peço ajuda apenas a pessoa que poderá me ajudar. Resolvo todas minhas questões sozinhas, ninguém nunca me ajudou a procurar emprego, antes dos 18 anos minha mãe só sabia dos cursos que eu me inscrevia porque eu precisava de um maior de idade para assinar os papéis, fora isso eu resolvi as questões sozinha.

Não tenho filhos e nem animais de estimação que dependam de mim e assim eu dependa dos outros para cuidar deles, muitas das pessoas com quem eu convivo não sabem dos meus problemas até que eles possam ser evitados… Então sim, me sinto alguém independente.

Sobre ser sabia, eu confesso que não sou a pessoa mais sabia do mundo, mas sou o suficiente para saber o que é certo e errado, as consequências de meus atos e saber enfrenta-las, sei usar a palavra na hora certa quando algum amigo precisa de mim, sou bem logica quando precisa-se de logica, sei manter a calma, então, sim, eu acho que sou sabia.

Se sou sabia e independente, eu sou responsável certo? Se sou responsável, qual o problema de eu decidir sair as vezes da vida real para praticar coisas sadias que façam eu me sentir viva, se isso não machucará a ninguém? Isso não é ser adulto? Ser adulto é não ter uma válvula de escape da realidade, para poder relaxar e depois conseguir encarar melhor o mundo?

Me veio depois a questão que ela disse sobre na minha idade já ter a minha irmã, então é isso? Como uma mulher de 25 anos eu devia estar casada, com minha própria família? Eu devia ter um filho mesmo sabendo que esse não é o momento certo? Eu não acho isso infantilidade, se for, desculpe, eu prefiro ser uma criança de 25 anos, livre e responsável, do que uma adulta de 14 anos, sem responsabilidade nenhuma.

Eu sei muito bem que tenho condições psicológicas de cuidar de uma criança, eu cuido do meu sobrinho desde que ele nasceu, isso foi a 12 anos atrás quando eu era praticamente uma criança, a questão é que eu não vou colocar um filho no mundo para ser mais uma mãe que não tem como sustentar o seu filho, não, quando eu tiver um filho ele vai ter tudo, principalmente uma educação que eu o darei, para isso além de independência total financeira, precisarei administrar bem meu tempo para não ser uma mãe ausente e infelizmente, aos 25 anos isso ainda não é possível.

Eu bebo desde os meus 19 anos, minha mãe, irmã e família nunca me viram bêbada, ninguém nunca precisou ir me pegar, ninguém nunca ligou para a minha casa para falar que eu precisava de alguém para me pegar, nunca fumei, nunca usei drogas, nunca feri ninguém, nunca engravidei de um carinha qualquer, nem de meus namorados, trabalho desde os meus 18 anos e de carteira assinada desde os 19 anos. Se quero algo, corro atrás, então que problema tem em eu deixar a realidade de lado as vezes?

Qual o problema de eu conseguir resgatar a imaginação que toda a criança tem e transformar a Quinta da Boa Vista em Panem na minha cabeça, qual o problema de eu correr pensando que estou salvando a minha vida, enquanto estou na verdade em apenas um jogo? Eu não machuquei ninguém, não tive medo do ridículo, do que as pessoas iriam pensar de mim, fui corajosa ao fazer isso, ao simplesmente não me importar com a opinião dos outros, porque eu estava feliz e é isso que importa, pelo menos deveria ser, as pessoas deveriam se importar com a felicidade e não com o medo do ridículo, se minha felicidade não machuca ninguém, o que importa eu fazer o que me faz feliz?

Eu me sinto feliz me fantasiando de Harry Potter, de Piratas do Caribe, de Star Wars, me sinto feliz por subir no palco e fazer uma representação de uma guerra intergalática, sem ganhar nada, me sinto feliz em correr pela Quinta da Boa Vista como se eu fosse um tributo de um futuro distante. Isso é o que importa ano final, quando eu for lembrar do meu passado e lembrar dos bons momentos, não vai ser de “e teve aquela vez que eu fiz a contabilidade do mês de novembro”, isso não me faz feliz, isso me faz responsável e não feliz. Responsável por responsável eu tenho muitas coisas, como quando estou trabalhando, eu me sinto sobrevivendo no trabalho e não vivendo, eu quero viver, não apenas sobreviver. O que eu vou falar para meus amigos, filhos e netos não é sobre como eu resolvi o problema de uma cliente no trabalho, vai ser sobre o dia que eu fui o tributo do Distrito 1, no PRIMEIRO JOGOS VORAZES CARIOCA e não fui apenas um tributo, eu fui um tributo que se destacou. O que eu vou contar é sobre o dia que eu subi ao palco do Anime Family, com uma roupa toda preta e ganhei com meu grupo o 1º Lugar em apresentação livre em grupo.

Pensando nisso, se for para ser uma adulta que sobrevive, uma adulta estressada, uma adulta que não tem boas lembranças, eu prefiro ser infantil, ser uma retardada mental, mas que vive, que não apenas está no mundo, que não tem medo do ridículo, que tem medo de não ser feliz, que tem medo de não viver. Então quer saber? Me chamem de infantil, de criança, do que quiserem, mas sou eu, e não vocês que no final falará sobre os dias maravilhosos que viveu, porque não tinha medo de como os outros me viam.

E para completar esse post, uma música que tem tudo a ver com a forma que eu estou me sentindo agora. I’ve Gotta Be Me

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No mês de setembro eu tirei férias no trabalho e como está virando rotina, sempre que consigo viajar vou para São Paulo para ficar na casa da Lee, desta vez resolvi ir de avião, primeira vez que eu iria viajar de avião e como tudo na minha vida, logicamente que minha viagem tinha que virar roteiro de um filme… Bem, não virou literalmente falando, mas foi no mínimo divertido.

Viagem de ida, o valor total da passagem foi R$66,66… O vôo era o A18 (18 dividido por 3 é igual a 6, ou seja 666)… Para completar eu só percebi depois que eu me sentaria na cadeira 13A… Desespero com a coincidência de números no meu primeiro vôo? Que isso, imagina… Tudo bem, cheguei no aeroporto e na hora de despachar a minha mala a atendente me disse que tinha um vôo saindo naquele horário e me perguntou se eu queria ir, eu respondi que não, porque já tinha combinado do pessoal me pegar no aeroporto.

Assim que eu entro no meu vôo, tinha uma pessoa na minha cadeira, eu falei com ele e ele percebeu que estava na cadeira errada, depois que eu me sentei no meu lugar veio na minha cabeça “Fudeu… O cara estava no meu lugar, queriam me colocar no vôo antes… Não era para eu sentar aqui, o avião vai cair e a unica pessoa que irá se salvar é quem está na 12A… Droga, porque eu não mudei de lugar?” Desespero? Que isso…

Eu então conferi a parada de prender a bandeijinha, se aquela porra tivesse quebrado eu ia sair gritando que o avião ia cair (isso que dá assistir o filme Premonição 1), mas ela não estava solta, então permaneci no vôo, o avião levantou vôo e eu comecei a sentir sono, olhei ao meu redor TODO MUNDO dormindo, pensamento pessimista na hora: “Merda, aconteceu alguma coisa, está vazando gás de algum lugar e todo mundo está sentindo sono e vai morrer, eu estou começando a sentir sono, ai meu deus… Eu vou morrer” antes que me perguntem… Não, eu não sou exagerada.

Durante o vôo, teve um momento que teve turbulência… Meus pensamentos do momento: “Fudeu, turbulência, é agora que vou morrer…” mas não foi naquele momento e do nada começa a fazer um barulho debaixo de mim, tremer e tal, meu pensamento: “Ai… É agora, eu vou morrer, porque não fui no vôo anterior? Porque não me sentei na fileira 12? O chão vai quebrar, a minha cadeira vai sair voando… Eu vou morrer, porque não fui ônibus?”

Ah, antes que eu me esqueça as pessoas suspeitas de serem terroristas… Eu cheguei para me sentar e o cara que já estava sentado na 13C me olhou meio puto, eu me esqueci que tinha que colocar a mala no porta malas em cima, daí pedi licença para ele de novo para colocar a mala, ele me lançou um olhar “Eu vou te matar” eu só me tranquilizei porque ele foi o primeiro a dormir graças ao gás sonifero do avião.

No final, quando pedem para as pessoas sentarem que estão preparando para o pouso, eu vejo um cara saindo do banheiro, com uma das mãos escondidas por dentro do casaco perto da cintura, como se fosse sacar uma arma, eu fiquei olhando para ele “Merda, merda, merda, esse cara é um terrorista, vai matar todo mundo ou fazer o avião bater em algum prédio… Como deixaram alguem entrar armado aqui? E o detector de metais, como não perceberam a arma dele? Fudeu… O vôo estava tão bom, porque o cara vai matar todo mundo? Eu acho que vou me esconder no banheiro”

Mas para a minha sorte, o cara não atirou em ninguém, para dizer a verdade, eu nem sei se ele estava armado, mas sei lá, na hora do desespero você pensa em tudo, desconfia até da agulha de trico da velhinha da sua frente, afinal se MacGyver consegui montar uma bomba com um chiclete, eu imagino o quão perigosa pode ser uma agulha de trico.

Mas enfim cheguei viva em SP, tudo ótimo, férias maravilhosas, mas então chegou o momento de partir… Como eu tinha que viajar com uma nova neurose, Lee, Ian e eu fomos ver Premonição 5 em 3D, não vou contar o filme, mas tem uma cena de avião e tem uma música que toca em um momento tenso do filme que é Dust In The Wind do Kansas, agora adivinhem qual musica em tenho no meu computador? Dust In The Wind… A Lee me proibiu de escutar essa música até eu chegar inteira no RJ.

Eu e a Lee resolvemos ir bem cedo para o Aeroporto, é melhor chegar cedo e esperar lá do que acabar se atrasando, graças a tudo o que existe que saimos terrivelmente cedo, meu vôo estava para sair às 14:45h no aeroporto de Congonhas, pelo menos era o que eu jurava, ao chegar no Aeroporto de Congonhas às 11:30h, fui na cabine da WebJet (eu fui pela TAM e voltaria pela WebJet) para saber onde eu faria o Check-in, descobri que o Check-in assim como o vôo era para ser feito no aeroporto de Guarulhos… Momento desespero “Puta que pariu, caralhos voadores me fodam… Me fudi bonito” (sim, eu sou fluente em palavrões) momento desespero onde a cor da sai do meu rosto, respirei fundo “Como eu consigo chegar no aeroporto de Guarulhos”. Para a minha alegria tinha um serviço do aeroporto que é o “Airport Bus Service” que nos leva do aeroporto de Congonhas para Guarulhos e por eu ter chegado extremamente cedo, eu não tive problemas, cheguei até terrivelmente cedo e meu único problema foi ficar mais de uma hora sem fazer nada…

Eu sou uma pessoa que não gosto muito de sair, sério. Eu não sou fanática por sair, às vezes saio com os amigos, mas eu tenho uma paixão pela minha casa, uma paixão maior ainda pelo meu computador, eu amo ficar na internet, na internet existe um mundo de jogos, informações e diversão. Eu tenho muitos amigos que não são do meu estado e que o meu contato diário só é possível pela internet.

Além de que ficar em casa eu gasto menos, pois eu não gasto dinheiro com maquiagem, roupas legais e quando estou em casa, mesmo que seja acordada pelo mesmo periodo que eu ficaria na balada, eu não tenho necessidade de consumir tanto alcool, logo economizo dinheiro com bebidas e remedios para a ressaca no dia seguinte, ou seja, ficar em casa sai mais barato.

Agora eu não entendo de verdade o problema que as pessoas vêem nisso, falam que eu sou anti-social por ficar na internet, mas foi na internet que eu tive a oportunidade de conhecer o pessoal de SP, que foi para onde viajei nas ultimas férias, inclusive fiquei na casa da Lee que é uma pessoa que eu conheci apenas na internet, foi graças a amigos que conheci na internet que ganhei o meu primeiro emprego de carteira assinada e o primeiro de carteira não assinada também.

Nos meus momentos de tristezas e desespero, eu posso contar com meus amigos que conheci na internet, eles sempre estão prontos para me me falar palavras consoladoras, me puxar a orelha quando eu preciso e mostrar o meu valor. Eu sei que fico sem aquele abraço apertado, mas abraço eu posso ter do meu sobrinho e da minha mãe, a amizade que eles me fornecem é muito superior que um abraço.

Uma das amigas que eu tenho contato ao vivo, por ser do RJ, eu conheci graças a internet, essa amiga, a Joana, ela sempre aparece magicamente, mesmo sem eu falar nada às vezes para me chamar para sair e beber que é tudo o que eu preciso naquele momento. Ela esteve do meu lado nas duas vezes que devido a decepções amorosas eu fiquei mal. Se não fosse pela internet, acho que não a teria conhecido.

Então já fica comprovado que eu não sou anti-social, o fato de eu não ver meus amigos todos os dias não quer dizer que eu não os tenha, muito pelo contrario, algumas vezes quando estava muito animada ou triste eu mandava SMS para eles, minha caixa de SMS dos dois chips já encheram diversas vezes.

Agora vem o outro ponto, quando eu vou para uma boate ou algo assim, que eu passo a noite toda na rua, que eu estou longe de casa, minha mãe não faz ideia do que estou fazendo, onde eu estou bebendo e posso estar correndo perigo, está tudo bem, mas se eu estou na sala no meu computador, na internet… Eu não posso passar a noite toda acordada, porque logo ela vem falar para eu dormir… Sério, eu não entendo.

As pessoas também torcem o nariz quando eu falo que passei a noite na internet, mas quando eu falo que passei a noite na balada bebendo tudo, é normal, isso pode… Porque passar a noite em um lugar cheio de gente bebada, sendo você um deles, com musica alta. Onde você pode vir a ter problemas nos rins, ficar surdo pelo barulho e se desitradar é mais socialmente aceito do que passar a noite acordado na internet, onde o máximo que vai acontecer é você ter problemas e ter que usar um óculos?

Eu não torro o saco de quem vai para baile funk no final de semana, ou para quem vai à praia. Se a pessoa aproveita o feriado pronlongado para se torrar na praia, onde pode vir a ter um cancer de pele, todos acham normal, agora se eu aproveito o meu feriado pronlogado para acessar blogs, jogar meu RPG pela internet e conversar com meus amigos no MSN, isso não é socialmente aceito, eu sou condenada… Eu quero saber onde está o decreto que fala que praia e balada é mais legal do internet.

A maioria das pessoas quando vão para praia ficam tão torradas que não conseguem quase usar roupas depois de tão sapecada, para dizer a verdade, com o sol que está no RJ, se eu passar 20 minutos na praia assim, eu vou ter que ser levada para o hospital depois, pois terei severas queimaduras de 2º grau. Então elas aproveitam para depois não poder fazer nada. A pessoa que vai para a balada, na maioria das vezes bebe tanto que não se lembra do que fez no dia seguinte e quando se lembra, na maioria das vezes se arrepende do que fez. Eu na internet eu me lembro no dia seguinte do que fiz, não tenho nenhum tipo de problema no dia seguinte. Me divirto igualmente como me divertiria numa balada onde por exemplo estivesse tocando um tipo de musica que eu não gostasse.

Então se você é um dos que julgam os outros que preferem ficar em casa, no ar condicionado, com roupas confortaveis e frescas, na internet do que ir para uma praia cheia de gente, ficar sujo daquela areia imunda, se torrando no sol, ou ir para a balada cheia de gente também, mas bebada onde você sente um calor insuportavel… Você é um idiota, o seu gosto não determina a verdade absoluta, você gosta de ficar se torrando no sol? Mas nem todos gostam… Você gosta de beber e dançar em lugares fechados cheio de gente? Mas nem todos gostam… Você gosta de ficar na internet? Mas nem todos gostam.

Então vamos parar com isso de que fulaninho é mais legal do que ciclaninho porque fulaninho conhece todas as baladas da cidade enquanto ciclaninho conhece todos os melhores blogs. Só porque ser um cara da night é mais socialmente aceito do que ser um nerd. A pessoa vai muito alem de seus gostos, o carinha da balada pode ser muito bem o cara que não vai saber o que fazer quando você está triste e o nerd da internet é exatamente o que vai te oferecer o ombro amigo no dia que você quer apenas chorar. O nerd da internet por fazer o que gosta sem se importar com rótulos pode ser muito mais feliz e se divertir muito mais que o playboy que frenquenta as baladas só para parecer um cara descolado.

Bem galera, eu sei que andei meio sumida essa semana, mas é que Janeiro é um mês complicado para mim, pois toda a minha familia se uniu para nascer em Janeiro, além de alguns amigos, então já viram né? Festa quase todos os dias… Só para vocês verem como não estou exagerando, só do pessoal da minha casa, temos os seguintes aniversários no mês de Janeiro:

11 – Minha irmã
19 – Meu sobrinho
26 – Minha mãe
29 – Meu pai

Eu sou a única ovelha negra da familia que nasceu em Novembro, então como viram, o mês de janeiro para mim é complicado, porque quando eu termino as comemorações de um aniversário, tem outro aniversário… Como eu disse, isso apenas na familia.

Essa semana foi aniversário do meu sobrinho, não foi feita festa, no lugar da festa a gente foi se divertir em outro lugar, ele resolveu ir para o Norte Shopping, pois lá possui uma pista de patinação no gelo e ele patinou uma vez nessa pista e gostou, resolvemos ir para lá então.

Eu, que NUNCA havia patinado no gelo, resolvi pagar mico indo patinar também, imaginando que nos 10 primeiros minutos de patinação iria ter que recolher os meus pedaços espalhados pela pista e ir para o hospital para tentarem me juntar, tipo um quebra cabeça saca? É sério, motivo disso é que eu sou totalmente desastrada e sem um pingo de equilibrio, mas sou corajosa, afinal, qualquer um com essas caracteristicas não teria coragem nem de se aproximar da pista.

O mais divertido é o termo de responsabilidade que lhe é entrego apenas depois que você paga, porque assim você paga, recebe alguns tickets e então vai para uma área onde o pessoal vai colocar o equipamento de segurança em você, mas antes de você entrar você tem que assinar um termo de responsabilidade onde você tira “toda e qualquer responsabilidade do shopping por qualquer acidente que venha ocorrer, sabendo que evetuais contusões podem ocorrer mesmo utilizando o equipamento de segurança” esse foi o meu momento Fuuuuuuu, porque eu meio que atraio esse tipo de acidente, imaginei que o equipamento de segurança iria me proteger, mas se não protege ele é apenas o que? Enfeite? Daí eu me lembrei dos acidentes mais ridiculos que eu tive, como a vez que quebrei meu pé andando, quebrei meu dedo batendo no banco do ônibus, ou da vez que os copos do armário resolveram me atacar, eu abri a porta do armário de copos e todos eles pularam em cima de mim em um ataque suicida.

Eu na hora imaginei que a lamina, sei la o nome daquilo, do patins de alguem iria sair e voar na minha cara, algo assim, do tamanho que é a minha sorte… Sim, eu sou dramática, mas mesmo assim eu assinei o termo de compromisso e entrei, daí veio uma equipe de montagem colocar o patins e o equipamento de segurança… Sim, era uma equipe de montagem, pois cada um era responsavel por uma parte do equipamento e eles nos vestiam em serie O.o

Sério, era até engraçado de se ver, você ficava ali parado e eles começavam, um por vez a colocar joelheiras, cotoveleiras, uma nos dava luvas de plasticos descartaveis para colocar antes de colocar as luvas de verdade, o capacete e o patins. Eu me senti um carro de fabrica sendo montado, daí chegou a hora da verdade, a hora de patinar no gelo. Talvez fosse pela minha cara de pânico, ou por eu ter falado com o meu sobrinho e o amiguinho dele “Preparados para cair?” na hora que entramos um cara veio me perguntar se eu sabia patinar, assim que eu dei minha resposta negativa ele chamou um dos monitores para ajudar, mas o monitor pensou que a ajuda era para o meu sobrinho, então eu fui boazinha e deixei o monitor com o meu sobrinho.

Me segurando nas grades ao redor eu comecei a me impulsionar para a frente e pronto, eu estava começando a patinar, eu reparei que não era tão dificil patinar, não para quem já patinou, o gelo apenas deixava mais escorregadio e mais dificil de parar, então eu comecei aos poucos a ir me soltando da grande e pronto, eu estava patinando sem me segurar na grade, daí eu fui toda feliz mostrar para a minha mãe que eu estava patinando sem as mãos, quando eu passo por uma garotinha de sei lá, uns 8 anos de idade que fazia essa coisa de dança no gelo e estava andando de costas com um pé só, segurando o outro pé… O fato de eu patinar no gelo sem usar as mãos não me deixou muito feliz comigo mesma mais…

Meu sobrinho e o amigo dele que foi engraçado, eles passavam mais tempo caindo do que patinando, para tentarem cair menos eles resolveram dar as mãos e patinar juntos, o que só fez os dois cairem mais, pois quando um caia, o outro caia junto.

Em relação a tombos eu fiquei realmente feliz com os meus, eu só cai 3 vezes, uma delas minha irmã filmou, o que foi o tombo mais lindo na minha opinião, pois eu dei um duplo mortal para trás capado…. Tá, eu nunca faria isso, mas que parecia que foi isso pareceu, os outros 2, um foi logo no final porque a pista já não estava boa e meus patins estava solto… Ah o fato de eu ser um desastre também ajudou, nesse eu lindamente mergulhei… Sabe como é, estava calor… O outro esse realmente não foi culpa minha… Eu estava patinando linda e bela quando uma garota decide parar na minha frente, eu ainda não tinha aprendido a freiar e em um movimento heroico eu empurrei a garota para o lado e cai no chão sozinha.

O tempo de 1h acabou e eu não via a hora, não porque é chato ou algo assim, muito pelo contrario, o problema é que o patins é altamente desconfortavel, sério foi eu tirar o patins para ter que ficar parada por cerca de uns 10 minutos para voltar a sentir o meu pé, que a propósito, fez um calinho, além disso eu nunca iria perceber como patinar no gelo nos faz suar, eu não sou uma pessoa de suar muito, mas na hora que tirei o capacete, a minha cabeça escorria suor, eu ate fiquei preocupada quando senti o suor escorrer, porque de inicio eu não sabia que era suor e como minha cabeça estava doendo a dramática mor aqui já pensou que eu tinha machucado a cabeça de alguma forma.

Mas no fim foi uma experiência interessante, agora eu agradeço aos tombos que levei quando criança, quando eu aprendi a patinar, pois isso me fez não pagar mico depois de velha, eu me diverti com o meu sobrinho, levei apenas 3 tombos e sai de lá apenas com um calo no pé.

Bem, infelizmente nos sabemos que o atendimento em hospitais públicos não são os melhores em dia… Na verdade desde que eu me lembre o atendimento em um hospital público no Brasil, nunca foi considerado bom, mas confesso que a ultima vez que eu fui para um hospital público, que também é a unica vez que eu me lembro de ter sido atendida em um, não tenho do que reclamar.

Eu sou uma pessoa muito ansiosa e teve uma época que eu estava trabalhando em um emprego extremamente estressante, era um trabalho que eu pegava apenas o periodo de 6:20h, mas eu me sentia trabalhando 24h por dia, pois eu saia do trabalho e estava pensando nele, eu voltava para o trabalho e continuava pensando nele, até mesmo quando eu estava fazendo sexo com meu namorado eu estava pensando no trabalho, ok… Essa ultima parte era culpa do namorado pois ele não era bom de cama…

Mas de qualquer forma o trabalho era algo que realmente enchia minha cabeça, então foi que eu desenvolvi uma coisa chamada Crise de Ansiedade. Para quem nunca teve ou não conhece quem tem crise de ansiedade, vou colocar uma breve explicação:

Um ataque de pânico, também conhecido como crise de pânico ou crise de ansiedade, é um período de intenso medo ou desconforto, tipicamente abrupto. Os sintomas ( variam de pessoa para pessoa e são no mínimo cinco para ser considerada uma crise) incluem tremores, calafrios, sensação de desespero, desrealização ou despersonalização, ondas de calor, dificuldade em respirar, palpitações do coração, náuseas e tontura. A desordem difere de outros tipos de ansiedade na medida em que o ataque de pânico acontece de forma súbita, parece não ter sido provocado e é geralmente incapacitante.

Na maioria das vezes, aqueles que têm um ataque de pânico provavelmente terão outros. Pessoas que têm ataques repetidamente ou possuem uma ansiedade severa de ter outro ataque ou possuem o chamado transtorno do pânico. Nesses casos, a pessoa passa também a ter fobia (reversível) dos lugares em que teve as crises.

Muitos dos que sofrem de ataques de pânico relatam medo da morte, um “estado de loucura” ou uma perda de controle das emoções e do comportamento. As experiências geralmente provocam uma forte urgência de escapar ou se ver distante do local onde o ataque começou (a reação de lutar ou fugir) e, quando associadas a dores no peito ou falta de ar, necessitam de tratamento médico de urgência.

O ataque de pânico é distingüível de outras formas de ansiedade por sua natureza repentina. Ataques de pânico geralmente são sofridos por pessoas que sofrem de outras desordens relacionadas à ansiedade (são secundários a outras doenças e não uma doença à parte) e nem sempre são indicativos de uma desordem mental. Cerca de dez por cento das pessoas saudáveis sofrem um ataque de pânico isolado por ano.

Uma pessoa que sofre de alguma fobia tende a ter ataques de pânico quando exposta diretamente ao objeto. Esses ataques são geralmente curtos e desaparecem rapidamente quando a exposição ao objeto também desaparece. Em condições de ansiedade crônica, um ataque de pânico pode levar a outro, levando a uma exaustão nervosa por um período de dias.

Já perceberam como é horrivel não é mesmo? Bem, acontece que eu tive alguns episódios de crise de ansiedade e a primeira vez, quando não se tem conhecimento de que isso existe, a impressão que temos é que você está tendo um ataque cardiaco ou algo assim.

A minha primeira crise de ansiedade foi na época que eu tinha esse trabalho estressante, eu estava no meu curso técnico de enfermagem e comecei a sentir falta de ar, resolvi então sair da sala, passei no banheiro, molhei o rosto e as mãos, porque geralmente isso me acalma, porém a falta de ar continuou, eu fui para uma parte mais arejada do curso e me sentei, mas nada ainda, eu comecei então a sentir minha boca dormente e uma dor na nuca enorme, quando comecei a sentir meu braço esquerdo dormente eu me desesperei, foi então que repararam que eu não voltava para a sala e foram me procurar, porém quando chegaram eu estava tão nervosa e tão mal que eu não conseguia mais falar, minha língua estava dormente e não se mexia conforme eu queria, me colocaram então em um táxi e me levaram para o hospital Souza Aguiar.

Acontece que eu possuo um plano de saude familiar e na época devido ao meu trabalho eu tinha outro plano. Então na verdade eu tinha dois planos de saúde na época, mas eu não consegui avisar isso para as duas garotas que foram comigo no táxi, eu pensei que estava ferrada, eu sempre ouvi falar de gente que morre na fila esperando atendimento e eu que estava tendo um ataque cardiaco, na minha concepção, iria acabar morrendo ali por não conseguir falar que eu tinha plano de saúde.

Porém o atendimento foi mais rápido que eu esperava, mas isso se deve pela ação rápida das minhas amigas, o táxi nem tinha parado e ela já tinha saído dele, parecia uma cena de filme de ação onde a pessoa pula para fora do carro antes de ele ser atirado no precipício… Linda a cena… Ela então foi até onde tinha as macas e acabou roubando uma das macas, eu ao começar a sair do carro com a ajuda do taxista e da outra amiga só via a minha amiga correndo com a maca e o maqueiro correndo atrás dela no melhor estilo “Pega Ladrão”.

Não tendo outra alternativa o maqueiro teve que me deixar subir na maca, acho que os uniformes da Cruz Vermelha que usávamos (eu fazia curso técnico lá) ajudou também a intimidar os funcionários para sermos atendidas.

O maqueiro, talvez de vingança por ter tido a maca roubada, começou a rodar comigo na maca pelo hospital, eu me senti uma turista em uma tour guiado, nesse momento eu já não sentia nada mais do meu corpo o que fez com que meus braços caíssem para fora da maca, e o maqueiro ficou me pedindo para colocar eles para cima da maca, foi aí que surgiu o primeiro problema, eu não conseguia falar para ele que eu não conseguia colocar os braços para cima da maca e eu não conseguia fazer essa proeza, numa tentativa de obdece-lo eu tentei dar uma de Joseph Climber e tentanva com a ajuda dos ombros a jogar o braço para cima, o que não deu muito certo, o maqueiro então percebeu e rapidamente mostrando sua superioridade de movimentos em relação a mim naquele momento, colocou meus braços em cima da maca.

Depois do grande tour pelo hospital, onde adquiri milhas de viagens, eu finalmente fui atendida, por uma médica que, provavelmente, tinha o sonho de ser comediante, pois tivemos um dialogo muito interessante, onde vocês se lembram que eu não conseguia falar? Então a conversa foi mais ou menos assim. Ah, coloquei meus pensamentos entre parênteses.

Médica: Qual o seu nome?
Eu (fudeu, eu não consigo falar, mas vamos tentar): Ain-a
Médica: Qual?
Eu: Ain-a

Apenas depois da quinta vez que ela perguntou o meu nome e viu que eu não conseguia falar que ela desistiu de perguntar, daí ela deve ter pensando “Que bonitinho ela não consegue falar, mas vamos fazer mais perguntas só para sacanea-la” e veio:

Médica: Quantos anos você tem?
Eu (Ah sim, claro, se eu não consegui falar o meu nome, vou conseguir falar 21): Inri on
Médica: Não entendi.
Eu (Sério que não entendeu? Mas eu estou falando tão claro… ¬¬): INRI ON
Médica: Fala devagar
Eu (Eu to morrendo, do que adianta saber minha idade? Minha família vai saber falar para colocar na lápide, dá para me salvar logo porra?): IN-RI ON

Foi então que a médica repara que na minha maca tem a minha ficha, que apareceu ali misteriosamente, com a minha idade e o meu nome, porra, não dava para ela ter visto antes? Mas tudo bem, depois de obter essa informação extremamente necessária da minha idade ela me levou para uma sala de emergência e eu tinha ao todo 8 médicos ao meu redor, eu olho para o lado e o cara do meu lado estava morrendo sem atendimento, foi quando eu me desesperei.

“Fudeu! Sempre falam que não tem médico para atender as pessoas, tem 8 médicos ao meu redor enquanto o cara do meu lado morre sem médico nenhum, eu devo estar muito mal.”

Daí só para completar meu desespero, aparece uma mulher do meu lado, uma médica que mostrou que tinha uma ótima psicologia, pois apareceu com os olhos vermelho e me disse.

– Karina! A gente não sabe o que está acontecendo, mas fica calma que nós iremos descobrir.

Foi então que a primeira coisa que veio na minha cabeça foi:

“Fudeu, eu vou morrer. Eu estou em um hospital publico onde tenho 8 médicos ao meu redor e nenhum deles sabe o que eu tenho… Alguém pode chamar o House?”

Bem, acabou que me deram algo que me doparam e a crise de ansiedade foi embora da mesma forma que veio, eu então fui ainda de maca para uma sala, sei lá, devia ser a enfermaria e fiquei lá esperando me darem alta, foi então que eu pensei que até o momento minha mãe não sabia o que tinha acontecido comigo e que eu tinha que conseguir avisa-la porque quando ligassem do meu trabalho para a minha casa perguntando o porque eu não tinha ido, minha mãe iria se desesperar, mal eu tive esse pensamento quando um cara abriu a porta e falou:

– Sua mãe está aí.

Eu o olhei assustada, provavelmente ele tinha se enganado ou algo assim, mas então ele abre a porta e minha mãe entra, eu me senti naquele programa “Porta da Esperança” ou algo assim que tinha, que você pedia algo e geralmente seu pedido era atendido… Eu queria falar com a minha mãe e magicamente ela aparece ali, mesmo eu não sabendo como ela ficou sabendo. Se eu soubesse que o que eu desejasse naquele momento seria atendido, eu teria pedido para ser a mulher mais rica do mundo, droga desperdicei um pedido de bobeira.

Mas então a minha mãe me disse depois que tinham ligado para ela do meu curso e ela foi para lá com o meu sobrinho, acontece que o meu sobrinho tinha na época uns 8 anos e por isso não tinha deixado ela subir, porque criança poderia pegar doença e tal, mas minha mãe, fina como sempre, como eu disse no post do meu semi-sequestro, criou o barraquinho logicamente, até quando a psicologa foi gentilmente falar com ela minha mãe enfiou o dedo na cara da psicologa falando:

– Vocês vão me impedir merda nenhuma, eu vou ver a minha filha agora!!!!

E nessa confusão as minhas amigas apareceram e ficaram com o meu sobrinho para a minha mãe subir, que subiu correndo perguntando se alguém sabia onde eu estava, provavelmente dando a seguinte descrição.

– Ela é branquinha, cabelo escuro, está usando uma roupa toda branco e um jaleco branco…

O que é extremamente “difícil” de você ver em um hospital… Mas as pessoas devem ter reconhecido quando ela falou que a filha dela não era médica, era paciente. Mas bem, no fim tudo terminou bem, no hospital eu só recebi meu diagnostico 15 dias depois, ou seja, se eu tivesse tido uma doença que eu tinha que fazer tratamento pelos próximos 15 dias ou eu morria, eu estava ferrada. Mas fora isso foi até divertida a experiência, o que me faz agora avisar em todos os cursos que eu faço aos professores que eu tenho plano de saúde.

Desde que nasci, ainda quando humana, eu sempre tive um grande interesse por musica que foi alimentada pelos meus pais, mesmo depois de tanto tempo eu me lembro do som do violino do meu pai e a voz da minha mãe que o acompanhava nas Operas dos grandes teatros, era assim que eles ganhavam a vida e foi assim que eu aprendi a cantar, eles me ensinaram tudo o que sabiam, apesar da insistencia do meu pai para que eu tocasse violino como ele, minha vida era cantar, cantar e atuar e por isso minha mãe foi minha professora.

Talvez pela vida desde cedo nos grandes teatros eu tive um bom sucesso, era considerada uma otima cantora, ganhando bons papeis desde cedo, viajei muito com meus pais, eu não conhecia outro tipo de vida, mas bem cedo eu iria conhecer.

Apesar dos grandes show, nossa familia era humilde, o teatro naquela epoca não dava muito dinheiro, os artistas não eram tão prestigiados e viviamos em uma pequena vila em Paris e em uma noite comum, estavamos em casa jantando quando escutamos uma gritaria, pedidos de socorro eram ouvidos juntos com gritos de “monstros”, monstros esses que mais tarde vim a descobrir que eram lobisomens, ja tinhamos escutado sobre ataques de monstros a vilas proximas, e sempre os ataques tinham destruido as vilas por inteiro e matado todos, na mesma hora saimos de casa, iriamos tentar fugir.

Quando saimos um dos monstros me pegou, meu pai tentou ataca-lo, mas outro o pegou e pegou minha mãe, eu não pude ver o que aconteceu direito pois antes que eu pudesse gritar por socorro eu senti algo me acertando bem no peito, eu comecei a sangrar e junto com o monstro que tinha me pego, eu cai no chão.

Depois disso tudo o que eu me lembro foi de algo caindo na minha boca, um liquido e depois uma dor forte, mais forte do que a lança que acertou meu coração, eu apenas pedia para que aquilo acabasse logo, já que eu iria morrer que eu morresse logo, mas que aquela dor acabasse e a dor acabou, mas eu não morri.

Eu virei uma vampira, não que eu tenha acreditado nisso inicialmente, mas o meu criador Lancelot Fleming, me fez acreditar e me mostrou o que era ser uma vampira, ele me ensinou tudo o que eu precisava saber, apesar de aquela ser a primeira vez que eu tinha contato com ele, eu ja tinha visto o rosto dele em algum lugar, por anos acreditei que eu imaginei tê-lo visto antes devido ao que eu sentia por ele, mas depois ele confessou que antes de me transformar ele me observava.

Descobri depois também que nunca mais poderia me apresentar nos teatros, as pessoas iriam se assustar o fato de eu nunca envelhecer e minha voz não era mais a mesma, eu continuava com uma bela voz, mas agora ela poderia hipnotizar pessoas e até mesmo mata-las.

Eu passei a viver com Lancelot e me apaixonei por ele, mas isso nunca foi reciproco, eu queria estar sempre perto dele e por isso me alistei na guarda de Viktor, mas a aproximação dele sempre e nunca tê-lo de verdade me foi muito prejudicial, pois eu nunca o tive, eu sempre o amei e ele sempre acabava ferindo o meu coração toda vez que demonstrava que isso não era reciproco, ele tinha quebrado meu coração pela primeira vez ao me salvar de lobisomens, a partir dai ele passou a quebrar meu coração diariamente.

Christine é uma personagem minha de um RPG de fórum chamado Juneau, eu tenho feito alguns “roles” no MSN com ela, porém assim, semana passada estava meio para baixo, por problemas no meu trabalho, minha única amiga de verdade que trabalhava comigo foi mandada embora e ela me faz uma falta do caramba lá, quando eu fico triste eu sempre opto por usar a minha tristeza de forma produtiva, escrevendo algo, geralmente isso acaba saindo triste também e bem aproveitei para colocar essa tristeza para fora nos “roles” de MSN que eu fiz essa semana com o Matt e a Fla, ambos sofreram coitados…

Para que vocês entendam melhor o que seria esse role no MSN, eu pedi para o Matt fazer um comigo usando os personagens principais dessa nossa trama, o personagem do Matt é o Lancelot e o meu é a Christine, o role no MSN serve como uma realidade alternativa, o que acontece nele não quer dizer que vai acontecer de verdade no fórum, fazemos isso mais por distração, ou algumas vezes para ver se uma determinada ação daria certo. Bem, aqui vai o print:

(Clique na imagem para ampliar a ilustração)

Acontece que por algum motivo que eu desconhecia, a Christine ficava na minha cabeça 24h, a dor dela de não ter o amado, a tristeza dela a vontade que ela tinha de simplesmente sumir e o desespero de perder a única coisa importante para ela, me fizeram realmente ficar mal… Eu tentava pensar em formas de ela superar tudo isso, mas nada vinha a minha mente.

Acontece que, depois pensando o porque de verdade uma personagem me incomodava tanto, eu consegui saber o certo o porque, na verdade foi um aglomerado de motivos que coincidiram todos para que eu me apegasse tanto a tristeza e o desespero dela.

Primeiro devido ao clima do meu trabalho, eu sabia que teria cortes de pessoas, o clima no trabalho então começou a ficar extremamente pesado no inicio da semana, até a supervisora anunciar que ninguém mais seria mandado embora, mas perdermos grandes amigos que faziam com que o nosso dia fosse legal, e uma das pessoas cortadas foi a minha melhor amiga no trabalho, a Dani… É chato o trabalhar sem ela, era com ela que eu tirava pausa, ia e voltava do trabalho… Pela primeira vez desde que eu comecei a trabalhar eu tinha compania para ir trabalhar… Então tudo ficou diferente sem ela para ir para lá comigo todas as manhãs.

Segundo motivo para ela ter mexido tanto comigo, é culpa do teatro… Caio desculpe, mas a culpa é sua… Existe uma coisa que eu aprendi com o teatro, só preciso parar de ter medo de fazer isso na frente dos outros que aí em breve seria uma estrela de Hollywood. O que acontece, nesse curso de teatro que estou agora a gente aprende a diferença entre representar e atuar… Quando você representa, você continua sendo você brincando de ser outra pessoa, quando você atua você se coloca no lugar do personagem, você continua sendo você, só que passando pelo o que ele passou e aí sim, você está sendo verdadeiro, seus sentimentos são verdadeiros, suas emoções são verdadeiras… Nas palavras do meu professor:

“Quando você representa você é a Julieta que ao encontrar o Romeu sabe que vai morrer no final, quando você atua, você é a Julieta que ao encontrar o Romeu, se torna extremamente apaixonada por ele, aquele não é o cara que vai causar sua morte no final, é o cara que você ama e não quer nunca perdê-lo, ele é lindo e tudo o que você precisa. Você moveria o mundo para ele”

Bem é mais ou menos isso… Esse tipo de técnica de atuar ao inves de representar é muito boa e eu a utilizo principalmente quando vou escrever algo mais sério, para saber o que realmente o personagem sentiria, então talvez eu tenha vivenciado demais os sentimentos da Christine para que tudo o que ela sentisse fosse bem autêntico.

O terceiro motivo é o mais legal, sempre que faço uma trama eu penso no que vai acontecer na vida dos personagens e todos eles terão um final feliz, quero dizer a maioria deles, o amor será correspondido no final e será tudo lindo e belo. Acontece que com a Christine não é bem assim, eu não faço ideia de como será a vida dela, se ela ficara com Lancelot ou não, na verdade a minha preocupação momentanea é saber se ela ficará viva ou não… Rssss…

Eu estou achando isso o máximo, é um desafio para mim não ter controle sobre a minha própria personagem e é o maximo eu poder fazer drama a vontade com ela, porque eu adoro escrever drama, eu amo muito isso e não saber o que acontecerá na vida dela, faz com que eu possa ainda mais dramatiza-la.

O bom também que essa realidade alternativa desses personagens, é que no jogo a gente pode tirar o que quiser, tipo como quando eu ferrei com o meu Hibrido de demonio na tentativa de faze-lo salvar a namorada.

Tipo diferente dos meus posts, esse não tem nenhuma lição de moral, eu só queria falar isso, porque essa personagem mexeu muito comigo, eu nunca trabalhei tão avidamente para ganhar na campanha de sair mais cedo na semana para chegar em casa e fazer mais roles no MSN, eu pensava em formas de ajuda-la e isso me empolgou horrores na semana passada e eu apenas queria dividir com vocês.

Faz um tempo que eu quero escrever esse post, mas por ser algo meio complicado tinha que esperar um momento que eu estivesse tranquila e sozinha, o que é meio complicado na minha casa, isso porque o melhor lugar para eu ficar com o computador é no sofá da sala e é onde geralmente minha mãe e meu sobrinho estão vendo TV, mas a questão que me atrapalha não é nem tanto a TV, é que sempre acabo parando porque um ou outro vem falar comigo e quando todos já dormiram e que estaria no momento ideal para escrever sobre isso, eu já não tenho mais cabeça por estar com sono. Hoje minha mãe foi trabalhar e minha irmã saiu de casa com meu sobrinho, então finalmente achei o momento certo para escrever.

Como eu já disse, eu gosto muito de escrever, principalmente dramas, quanto mais drama em uma trama para mim é melhor, é por isso que eu sempre ferro com a vida de todos os meus personagens, sejam personagens de RPG, personagens de futuros livros, roteiros… Independente, eu sempre faço eles chegarem ao fundo do poço, algo bem estilo novelão mexicano e que envolve além dos problemas que ocasiono para ele como questões sobre dificuldades na vida, um problema amoroso.

Geralmente as minhas tramas envolve grandes confusões, minhas personagens apaixonadas sofrem por amor, elas amam de verdade, se dedicam ao grande amor, mesmo que pareça impossivel, elas não abrem a mão de quem gostam, mesmo com todas as dificuldades e no fim, geralmente tudo dá certo, ela e o seu grande amor ficam juntos e tem um final feliz. Eu sempre quis um amor verdadeiro como o das minhas personagens, mas nunca me joguei de verdade em um relacionamento, sempre tive medo.

Eu parei para analisar sobre isso já faz um tempo, todas garotas em algum momento na vida já quiseram passar por uma bela historia de amor, uma dessas que dê um belo filme, mas porque nunca nos jogamos de verdade em algo assim? Porque na vida real a gente não sabe o final de verdade de nossas historias e namorar um esquizofrênico pode vir não ter um final tão feliz como acontece no filme “Uma Mente Brilhante”.

Isso me fez refletir sobre o porque nossas vidas não tem historias tão bonitas quando aparece na TV e o porque termos medo de arriscar, o porque não passamos a nossa vida inteira amando apenas uma pessoa. Porque diferente dos filmes e livros aquele cara bonitão que vive brigando com você por ideias diferente, não vai lhe dar um beijo apaixonado enquanto vocês estão em um balão, como no filme “A Verdade Nua e Crua” e você não sabe se aquele lindo homem do barco vai te manter viva, mesmo que para isso ele tenha que morrer, como em “Titanic”. Na vida tudo isso é diferente, não tem roteiro, é tudo improviso e uma escolha pode se tornar algo trágico e não uma bela história de amor e superação.

Todos queremos ter aquele final feliz dos livros, mas não existe de verdade um final feliz, tem uma citação nas histórias de Sandman que diz exatamente isso.

“Todas as histórias tem finais felizes se soubermos quando parar de conta-las, pois se você as deixa durar muito terminam sempre em morte.”

E é a mais pura verdade, as histórias só tem final feliz porque param de contar no momento certo, afinal ninguém nunca colocou o que aconteceu com Chapeuzinho Vermelho depois que ela voltou para casa, ou quando a vovózinha dela que era muito doente morreu. Ninguém fala sobre o final de verdade, e como ninguém é eterno, como sempre a morte aparece e com ela sofrimento, as vezes de quem se foi, outras de quem ficou; nenhuma historia tem um final realmente feliz, as historias contam apenas momentos de superação dos personagens.

A diferença entre os personagens e a gente é que nós não podemos parar de contar nossas historias onde tudo fica resolvido, porque nossa historia sempre vai até a morte, teremos muitos finais felizes, mas o final realmente não será feliz, pois o final é a morte e toda a morte traz um pouco de dor.

Um exemplo básico é a postagem que fiz ontem, sobre o dia que fui semi-sequestrada, minha mãe tendo me encontrado daria um belo final feliz a uma historia de sequestro, aquele foi um dos finais felizes, mas eu não tive apenas momentos felizes, me machuquei outras vezes, me queimei, me decepcionei, chorei, perdi pessoas que amava, deixei grandes amizades para trás, tive momentos de querer me matar para acabar com tanta dor… Mas tive bons momentos também, momentos que me apaixonei, que chorei de emoção, de alegria, de descobertas. Minha vida teve vários finais felizes, mas vários finais tristes também.

Percebi que o que importa de verdade não é o final da historia, não é a parte em que tudo acaba… Pois na verdade tudo acaba em morte. O importante é o meio das histórias, é a parte onde tudo acontece, é a parte onde tudo é diferente… O final é apenas uma consequência, o que importará para saber se tudo valeu a pena, não será como você morre e sim como viveu, então o que importa se o final vai ter sido feliz?